O policial militar Pedro Inácio Araújo de Maria, condenado pela morte da estudante Zaira Cruz, de 22 anos, permaneceu recebendo salários e chegou a ser promovido duas vezes enquanto esteve preso sob custódia da própria corporação no Rio Grande do Norte. Ao longo de aproximadamente sete anos, a remuneração do militar mais que dobrou, passando de cerca de R$ 4 mil, em 2019, para mais de R$ 10,6 mil em fevereiro deste ano, conforme dados do Portal da Transparência.
Considerando o valor bruto recebido a cada mês de março multiplicado pelos 13 salários anuais (incluindo o 13º), estima-se que o total recebido no período se aproxime de R$ 600 mil, sem contar descontos previdenciários. Quando foi detido, o policial ocupava a patente de cabo, mas acabou promovido a terceiro-sargento e, posteriormente, a segundo-sargento antes da conclusão do julgamento.
As promoções foram confirmadas pelo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Alarico Azevedo, que explicou que a legislação permite a progressão na carreira mesmo quando o agente responde a processo, desde que não haja condenação definitiva. Dessa forma, como Pedro Inácio ainda aguardava decisão final da Justiça, ele continuou vinculado à instituição e manteve seus vencimentos normalmente.
Desde a prisão, ocorrida em 2019, o militar ficou sob custódia da própria Polícia Militar. Inicialmente, ele foi mantido em um quartel na Zona Leste de Natal e, posteriormente, transferido para a Companhia Independente de Policiamento e Guarda, na Zona Norte da capital, unidade destinada a policiais presos.
O caso que resultou na condenação ocorreu durante o Carnaval de 2019, na cidade de Caicó. Segundo as investigações, Pedro Inácio mantinha um relacionamento com a vítima, tendo cometido abuso sexual contra ela antes de assassiná-la por estrangulamento. Em dezembro de 2025, ele foi condenado a 20 anos de prisão em regime fechado.
Recentemente, a Justiça autorizou a progressão da pena para o regime semiaberto. Com isso, o policial passou a cumprir a pena em casa, sob monitoramento eletrônico e com restrições de horário. Apesar dessa mudança, ele continua formalmente vinculado à Polícia Militar.
Diante da situação, a corporação informou que será instaurado um conselho de disciplina para avaliar a permanência do militar nos quadros da instituição. Esse procedimento administrativo deverá analisar sua conduta e definir se ele será excluído. O prazo estimado para conclusão é de 40 a 45 dias.
Enquanto o processo interno estiver em andamento, o policial seguirá à disposição da corporação e poderá ser convocado para cumprir expediente em local determinado. Segundo o comando, a exclusão não pode ocorrer de forma imediata sem o devido processo legal, sob risco de invalidar a decisão.
Casos semelhantes, especialmente quando há condenação superior a dois anos, costumam resultar na expulsão do agente. De acordo com o comandante, na maioria das situações, conclui-se que o militar não reúne mais condições de permanecer na instituição.






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