• O Acordo Mercosul-União Europeia (finalmente) entra em cena. E o Rio Grande do Norte com isso?

    Agora está fechado: nesta sexta-feira, 1º de maio, entra em vigor o acordo que zera as tarifas de 80% das exportações brasileiras para a Europa. Para o Rio Grande do Norte, o maior exportador de frutas do país, o impacto é direto na balança comercial e no agronegócio de Mossoró ao Vale do Assu.. O Brasil ganha fôlego ao ver suas exportações desembarcarem no Velho Continente sem o peso dos impostos. É a promessa de um novo ciclo para o agro, se a logística brasileira não boicotar o próprio lucro. O que resta saber é se seremos parceiros de fato ou apenas o pomar predileto de um bloco que, entre um discurso ambiental e outro, não abre mão de proteger seus próprios agricultores. O livre mercado é lindo, até alguém mencionar subsídios.


    O equilíbrio fino de Jorge Messias, entre a toga e o Senado

    O advogado-geral da União enfrentou hoje a sabatina na CCJ para uma vaga no STF. Em um movimento milimetricamente calculado para seduzir a bancada conservadora, Messias declarou-se “totalmente contra o aborto” e pregou o “aperfeiçoamento” institucional da Corte, tentando suavizar a imagem de um Supremo que muitas vezes parece legislar. Ele soube vestir o figurino de magistrado técnico para acalmar os ânimos do Senado. Entre juras de amor à Constituição e acenos à pauta de costumes, o indicado de Lula buscou convencer de que a toga não tem cor partidária. O discurso foca no fortalecimento da segurança jurídica e na autocrítica institucional. Isso nos permite escrever como em Brasília a verdade é uma construção semântica. Messias operou a “metamorfose ambulante” necessária para atravessar o corredor polonês do Senado. O caminho para o Olimpo Judiciário exige mais diplomacia do que doutrina.


    O ultimato à UNICAT: a saúde potiguar sob intervenção judicial

    No cenário local, a Justiça potiguar deu 90 dias para o Governo do RN regularizar a Unicat. A decisão é um soco no estômago da gestão estadual, expondo falhas estruturais graves e a falta crônica de medicamentos que atinge diretamente a população que mais depende do Estado para sobreviver. Será que eh três meses dá para consertar o que o tempo e a gestão degradaram, como teto caindo, prrateleiras vazias? A decisão exige a reposição imediata de medicamentos e reformas urgentes, sob pena de multas que o erário potiguar não pode pagar. No RN, funciona assim: gasta-se mais tempo em tribunais explicando a falta de remédios do que organizando a logística para comprá-los…


    O guardião da moeda sob cerco: Jerome Powell e a independência do Fed

    Jerome Powell não escondeu o desconforto com os ataques diretos do Executivo americano à autonomia do Federal Reserve (o equivalente ao Banco Central dos EUA). Enquanto Washington tenta pautar os juros pelo Twitter ou por ligações intempestivas, o xerife do dólar reafirmou que a independência da instituição é o que separa a economia real da alucinação populista.

    O Estreito de Ormuz no viva-voz: Donald Trump e o persistente bloqueio Iraniano

    Donald Trump elevou a voltagem geopolítica ao rejeitar a proposta de paz iraniana, mantendo o bloqueio naval até obter garantias nucleares absolutas. Com o pragmatismo de um CEO, ele agora conduz a crise “por telefone” para evitar voos longos, enquanto o mercado de petróleo observa o gargalo de Ormuz com apreensão. Ok, essa linha ele até reduz o custo das milhas, mas eleva o preço da paz, transformando a segurança global em uma negociação de call center de luxo.


    O expediente formal se encerra aqui no Potengi, mas a análise continua nas entrelinhas. Amanhã, o Senado decide se o Messias da AGU se torna o Ministro do Supremo e o mercado mundial digerirá se o “viva-voz” de Trump é blefe ou estratégia. Novidades de última hora, confira no radar!

    Bom descanso, Natal. Amanhã cedo o café estará fresco e as notícias, provavelmente, ainda mais quentes. Até o nosso Expresso matinal, às 6h!


  • Pessimismo na indústria só cresce, e a culpa (feliz ou infelizmente) não é só dos juros

    Os dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira (29) parecem, à primeira vista, apenas mais um número em meio a tantos outros: 28 dos 29 setores industriais registraram falta de confiança em abril. Um dado técnico que aponta para o pessimismo da indústria. Um detalhe estatístico. Mas será que fica só nisso mesmo?

    Cabe perguntar: quando quase toda a indústria perde confiança, ainda estamos falando de “setores” ou de um clima geral, uma espécie de atmosfera econômica? A resposta parece clara: não se trata mais de casos isolados. O pessimismo deixou de ser exceção e se tornou regra.

    O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), que varia de 0 a 100 pontos — sendo que valores abaixo de 50 indicam falta de confiança — revela um movimento contínuo. Em janeiro, o cenário já era ruim: 20 setores estavam sem confiança. Em fevereiro, 21. Em março, 23. Agora, em abril, 28. O que vemos aqui não é uma oscilação, mas uma tendência. Mas tendência de quê?

    A explicação mais imediata, quase automática, aponta para os juros altos. A própria CNI identifica esse fator como central: a elevação da taxa básica desde o fim de 2024 teria corroído a confiança ao longo do tempo. No entanto, essa resposta, ainda que correta, talvez seja insuficiente. Temos acordo que os juros nos atuais patamares são proibitivos para um desenvolvimento industrial. Mas eles explicam tudo?

    Se explicassem, bastaria uma leve redução para reverter o quadro. Só que não é o que ocorre. A recente queda de apenas 0,25 ponto percentual mostrou-se incapaz de alterar o humor do empresariado. Parece então que o problema não está apenas no nível dos juros, mas numa percepção de instabilidade mais ampla.

    O pessimismo afeta todo mundo. Pequenas, médias e grandes empresas — todas apresentam falta de confiança. Regionalmente, o cenário é igualmente homogêneo: o Nordeste, por exemplo, caiu abaixo da linha dos 50 pontos pela primeira vez desde 2020. Com isso, todas as regiões do país passam a compartilhar o mesmo diagnóstico: desconfiança. Então, a pergunta muda de forma: não é mais “por que alguns setores estão pessimistas?”, mas “o que aconteceu para que quase ninguém esteja otimista?”.

    Alguns setores ilustram esse quadro de forma particularmente intensa. Produtos de material plástico, celulose e papel, máquinas e equipamentos e metalurgia aparecem entre os mais afetados, todos com índices próximos ou abaixo de 43 pontos. Em contraste quase irônico, apenas o setor farmoquímico e farmacêutico permanece acima da linha de confiança, com 52 pontos — como se, em meio à incerteza generalizada, a saúde (ou a necessidade dela) ainda oferecesse alguma estabilidade.

    Mas há algo mais aqui. A confiança, ao contrário do que se pensa, não é apenas uma variável econômica. Ela é também uma construção simbólica. Empresários não reagem apenas a números, mas a expectativas, narrativas, sinais difusos. Quando essa confiança cai, não é apenas porque o presente é ruim, mas porque o futuro parece opaco.

    Pode ser esse, então, o ponto central: a indústria não está apenas reagindo ao que é, mas ao que pode vir a ser.

    O índice de condições atuais permanece abaixo de 50 pontos, indicando que os empresários avaliam o presente como pior do que seis meses atrás. Já o índice de expectativas, que chegou a esboçar uma leve recuperação no início do ano, não conseguiu sustentar esse movimento. Isso nos põe diante de um paradoxo: mesmo quando há pequenos sinais de melhora, eles não são suficientes para produzir confiança. A questão é: por que não?

    Ora, a confiança não se constrói apenas com dados positivos pontuais. Ela exige consistência, previsibilidade, projeto — artigos escassos no Brasil em que mercado, políticos e imprensa vivem sob a ditadura do curto prazo. No fim das contas, talvez a indústria brasileira não esteja pessimista por causa da economia — talvez seja precisamente a economia que esteja començando a refletir um pessimismo mais profundo da própria sociedade.


  • Com marcha de 200 vereadores, gabinete de Zenaide vira posto avançado do RN em Brasília

    Parlamentar municipalista, a senadora Zenaide Maia (PSD-RN) recebeu cerca de 200 vereadores e vereadoras do Rio Grande do Norte ao longo de toda esta semana, em seu gabinete no Senado Federal, em Brasília. Os parlamentares participaram de uma Marcha Nacional dos legislativos municipais e, ao pleitearem novas emendas orçamentárias de Zenaide para suas respectivas cidades, reafirmam, junto à senadora, a parceria política pela continuidade de repasses federais para obras e investimentos nos municípios potiguares.

    “Sempre com portas abertas para todas e todos, trabalho para que nosso mandato seja, na capital federal, um posto avançado para solução de desafios do Rio Grande do Norte. Receber os vereadores é parte dessa vontade de trabalhar coletivamente pela nossa população, com união e sem divisão. Ao longo de meu trabalho parlamentar em Brasília, tenho feito questão de apoiar os municípios. Por uma razão simples: é no município que as pessoas vivem, trabalham, estudam, precisam de serviços públicos para ter saúde, segurança, educação de graça e com qualidade. Isso não é favor, gente: é direito”, assinalou Zenaide.

    A senadora já destinou mais de R$ 500 milhões em emendas parlamentares ao Rio Grande do Norte, valor que contempla todos os nossos 167 municípios. Atendendo dezenas de grupos de diversas cidades desde a manhã de segunda-feira (27), em dezenas de reuniões, Zenaide ressaltou a prioridade de destinar verbas federais, a que tem direito legal todo ano no Orçamento Geral da União, para financiar saúde, educação, assistência social, esporte, turismo, infraestrutura, crescimento econômico e diversas outras áreas nos 167 municípios potiguares.


  • Trump rejeita proposta do Irã para encerrar guerra no Oriente Médio. É a diplomacia no modo “não, obrigado”.

    Leia sobre isso no G1.


  • MP investiga eutanásias em massa de animais para “liberar espaço” em abrigo em SC. Mas o que é isso: gestão de crise ou colapso ético?

    Leia a matéria no G1


  • América entra em campo hoje com apenas 5% de chance de classificação na Copa do Nordeste. Quando torcedor começa a fazer conta matemática, é porque o negócio já degringolou.

    Leia mais Agora RN


  • Família de menina Pétala faz protesto por justiça em Natal. Comoção local que expõe fragilidade na proteção infantil.

    Leia mais no Agora RN.


  • A ciguatera e a fragilidade dos nossos laços oceânicos

    No Rio Grande do Norte, o mar sempre foi lido como uma promessa. Para o potiguar, o peixe à mesa não é apenas subsistência, mas um rito de comunhão com o horizonte. No entanto, desde 2022, esse pacto ancestral tem sido testado por um inimigo invisível, inodoro e insípido. A ciguatera, uma intoxicação alimentar que já vitimou 115 pessoas no estado — e a nossa seção Vazante ilustrou o caso de cinco membros de uma mesma família em Natal —, deixou de ser uma curiosidade tropical para se tornar um sintoma agudo de um desequilíbrio profundo.

    A bioacumulação do descuido

    A ciguatera não nasce exatamente no peixe. Tudo começa com a Gambierdiscus, uma microalga bentônica que habita recifes de corais. O processo é uma aula de biologia e, simultaneamente, uma metáfora ética: a toxina viaja pela cadeia alimentar, do pequeno herbívoro ao grande predador (a barracuda, a cioba, a arabaiana). Em cada degrau, a concentração aumenta. Quando o peixe chega ao prato humano, ele carrega consigo a destilação de todo o ecossistema.

    O que as as notificações no RN sugerem (aliadas a pesquisas que outros lugares já vêm empreendendo, tal qual Fernando de Noronha) é que a proliferação dessas algas não é um capricho da natureza. Elas agem como “adubos” biológicos de nossa negligência. O despejo de esgoto doméstico, a eutrofização das águas e o aquecimento global funcionam como catalisadores. Aqui, a política e a ecologia se fundem: a falta de saneamento básico em solo firme manifesta-se, meses depois, como um gosto metálico na boca e dores neurológicas de um cidadão que acreditava estar apenas jantando.

    O estágio potiguar: o pioneirismo do alerta

    O Rio Grande do Norte ocupa hoje um lugar solitário e vigilante no cenário nacional. É o único estado a notificar sistematicamente a ciguatera. Se os números assustam — saltando de surtos isolados para 90 casos apenas em 2025 —, eles também revelam uma transparência institucional necessária. A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) emitiu notas técnicas rigorosas, desenhando um mapa de sobrevivência que vai do pescador ao médico.

    Mas há algo de profundamente inquietante na natureza desta toxina. Ela resiste ao fogo, ao gelo e ao sal. O cozimento, que historicamente simboliza a civilização transformando a natureza bruta em alimento seguro, é inútil contra a ciguatoxina. Diante dela, somos devolvidos a uma vulnerabilidade primitiva. Não há antídoto; há apenas o suporte, a hidratação e a espera para que o corpo processe o veneno.

    Uma reflexão ética entre redes e pratos

    A disseminação da ciguatera nos impõe dilemas éticos que transcendem a saúde pública. Para o pescador artesanal, a orientação de “evitar a captura” de espécies nobres como o dourado ou a cavala é uma sentença econômica. Como equilibrar o princípio da precaução sanitária com a sobrevivência de comunidades que dependem exclusivamente do que o mar oferece? A rastreabilidade do pescado, exigida agora dos comerciantes, não é apenas burocracia; é um exercício de responsabilidade moral para com o outro.

    Filosoficamente, a ciguatera nos lembra que a alteridade do mar é uma ilusão. O oceano não é um “fora” onde descartamos nossos resíduos; ele é um sistema de retroalimentação. O esgoto que sai de nossas cidades retorna sob a forma de uma molécula invisível que ataca o sistema nervoso. É a confirmação biológica de que o impacto humano sobre o ambiente é, em última análise, um bumerangue.

    O horizonte da vigilância

    Enquanto centros de pesquisa como o da UNIRIO mergulham na análise das microalgas e a Vigilância Sanitária tenta monitorar o que é impossível ver, o consumidor se vê diante de uma nova cautela. O “luxo” de consumir os grandes predadores do mar agora exige conhecimento de procedência.

    A ciguatera no Rio Grande do Norte é um convite à sofisticação do olhar. Ela nos obriga a entender que a saúde do prato depende da saúde do coral; que a gestão urbana de Natal ou Parnamirim é indissociável da segurança alimentar de quem frequenta seus restaurantes. No fim do expediente, ao olharmos para o litoral, a lição que fica é a de que não somos donos do ecossistema, mas partes vulneráveis dele. E que o mar, em sua imensa generosidade, também sabe devolver o tratamento que lhe dedicamos.


  • Ponta Negra no radar de Brasília; TCU abriu auditoria para investigar a engorda

    A obra, que deveria ser o cartão-postal da gestão Álvaro Dias, agora entra no radar de Brasília sob suspeita de irregularidades na execução. Será que a atenção a esse problema continuará quando passar o tempo das chuvas?

    RN registrou 115 casos de intoxicação por ciguatera desde 2022.

    Nosso estado se consolidou como o único do país com surtos recorrentes dessa toxina em pescados, afetando agora cinco pessoas de uma mesma família em Natal. Em uma terra que se orgulha do mar, descobrir que o “peixe fresco” pode ser uma roleta russa biológica é realmente o tipo de marketing que nenhuma Secretaria de Turismo consegue consertar com folhetos…

    O “Natal perdido” das Bets: Comércio deixou de faturar R$ 143 bilhões.

    Dados da Confederação Nacional do Comércio mostraram que o brasileiro está trocando o consumo real pela ilusão do ganho fácil, drenando o equivalente a dois Natais do varejo. O varejo nacional descobriu, da pior forma, que a “sorte” do apostador é o azar das vitrines dos shoppings. Não foi falta de aviso.

    Mudança drástica no cronograma de coleta de lixo em Natal.

    A Urbana anunciou uma reestruturação completa nos horários e dias de coleta para diversos bairros a partir de 1º de maio. Em Natal, o lixo na calçada é quase uma instituição sociológica; o que nós do Potengi queremos saber é se a “otimização” prometida é eficiência operacional ou apenas um eufemismo para a dificuldade crônica de manter a capital minimamente higienizada.

    Trump estampa o próprio rosto em passaportes comemorativos dos EUA.

    A administração americana emitirá passaportes da série “America250” com a face de Donald Trump, uma medida que flerta abertamente com o personalismo monárquico em plena celebração da independência contra uma coroa. É a transformação definitiva do documento de Estado em um santinho eleitoral de validade internacional.


  • Zenaide Maia aparece em mais uma pesquisa entre os eleitos ao Senado e abre distância para os outros concorrentesSenadora aparece reeleita tanto no cenário estimulado como no espontâneo na pesquisa Exatus

    A pesquisa do Instituto Exatus, divulgada nesta terça-feira (28), mostra a senadora Zenaide Maia (PSD) em posição consolidada na disputa por uma das vagas ao Senado Federal pelo Rio Grande do Norte.

    No cenário estimulado, em que os entrevistados recebem uma lista prévia de candidatos e podem escolher até dois nomes, o senador Styvenson Valentim aparece com 48,6% das intenções totais de voto. Em seguida, completando a lista de eleitos se a eleição fosse hoje, está Zenaide Maia, com 33,8%. Na sequência vêm Rafael Motta (18,7%), Coronel Hélio (15,3%) e Samanda Alves (12,6%), compondo o grupo dos cinco primeiros colocados.

    Já no cenário espontâneo, quando os eleitores respondem livremente em quem pretendem votar, sem apresentação prévia de nomes, Styvenson Valentim aparece com 25,08%, seguido por Zenaide Maia, com 9,45%. Com isso, os dois ocupam as posições que garantiriam eleição caso o pleito fosse hoje. Na sequência aparecem os demais postulantes e citações pulverizadas entre outros nomes.

    O levantamento contratado pelo Grupo Agora RN ouviu 1.518 eleitores entre os dias 14 e 17 de abril, em todas as regiões do Rio Grande do Norte. A margem de erro é de 2,51 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O registro na Justiça Eleitoral é RN-08384/2026.





Jesus de Ritinha de Miúdo