Jesus de Ritinha de Miúdo
-
Bancos definem restrições financeiras a Moraes após sanções dos EUA
Instituições financeiras no Brasil concluíram nesta sexta-feira (1º) a primeira análise sobre as limitações impostas ao ministro Alexandre de Moraes após as sanções aplicadas pelo governo dos EUA. A decisão foi tomada após consultas a escritórios especializados em legislação americana:
Operações permitidas:
✔ Todas as transações em reais dentro do sistema bancário brasileiro
✔ Movimentações em contas domiciliadas no BrasilOperações bloqueadas:
✖ Transações em dólar ou outras moedas estrangeiras
✖ Uso de cartões de crédito de bandeiras americanas (Visa, Mastercard, Amex)Detalhes da decisão:
- As instituições adotaram interpretação cautelosa, bloqueando cartões de bandeira americana mesmo para compras em reais
- A análise considerou a ordem executiva de Trump como genérica – sem especificar todas as restrições possíveis
- Bancos alertaram que novas determinações dos EUA podem ampliar as proibições
A medida mais drástica (“morte financeira”) – que impediria qualquer operação inclusive em reais – só ocorreria se os EUA especificassem novas restrições. Por enquanto, Moraes mantém acesso a serviços básicos no sistema financeiro brasileiro, mas com limitações significativas em transações internacionais.
Os bancos informaram ao STF que esta é uma avaliação preliminar e que o quadro pode mudar conforme evoluam as determinações do governo americano. A decisão mantém o ministro funcionalmente ativo no Brasil, mas com restrições a operações globais.
-
Pesquisa aponta que 46% dos brasileiros atribuem tarifaço dos EUA à família Bolsonaro
Um levantamento do PoderData divulgado nesta quinta-feira (31) revela que quase metade dos brasileiros (46%) responsabiliza a família Bolsonaro pelo “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. O estudo, realizado entre 26 e 28 de julho, ouviu 2.500 pessoas em 182 municípios e mostra que 32% atribuem a culpa ao presidente Lula, enquanto 23% não souberam responder.
O presidente americano Donald Trump assinou na quarta-feira (30) o decreto que oficializa a sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, que entra em vigor em 6 de agosto. No documento, Trump citou explicitamente a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, alegando “perseguição política” e “abusos de direitos humanos” no Brasil.
Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, admitiu ter trabalhado por sanções contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, reforçando o caráter político da medida. “As sanções deixam claro que o objetivo dessas medidas não é comercial, mas sim político e jurídico”, afirmou o deputado.
Percepção pública
A pesquisa mostra que o tema divide a opinião dos brasileiros:
- 46% culpam a família Bolsonaro
- 32% responsabilizam o governo Lula
- 23% não souberam opinar
Os números consideram apenas os 74% dos entrevistados que afirmaram estar cientes da sobretaxa. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
-
Binário Jaguarari/São José terá tráfego liberado neste sábado (2)
A Secretaria de Mobilidade Urbana de Natal (STTU) anunciou a liberação do tráfego na ampliação do binário Jaguarari/São José a partir das 5h deste sábado (2). A obra, que está com a pintura da sinalização horizontal em fase final, promete melhorar a fluidez no local, que recebe cerca de 25 mil veículos por dia.
A requalificação do binário deve reduzir o tempo médio de deslocamento para até 12 minutos, além de minimizar cruzamentos perigosos e acidentes. O projeto inclui ainda calçadas acessíveis, rampas dentro das normas técnicas e a expansão da malha cicloviária em 6,36 km na região.
A secretária da STTU, Jódia Melo, destacou que a iniciativa é “um passo essencial para a mobilidade de Natal”, alinhada ao Plano de Mobilidade da cidade. A expectativa é que o binário, que redistribui os fluxos de veículos em sentidos opostos, contribua também para a redução da emissão de poluentes.
A obra faz parte de um conjunto de intervenções para melhorar o trânsito em uma das áreas mais movimentadas da capital potiguar, onde os congestionamentos são frequentes. A STTU monitorará o fluxo nos primeiros dias para ajustes necessários na sinalização e operação do binário.
-
RN registra aumento de 10,2% em desaparecimentos e supera média nacional
O Rio Grande do Norte teve o quarto maior crescimento no número de desaparecimentos no Nordeste em 2024, com um aumento de 10,2% em relação ao ano anterior. Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que o estado passou de 674 registros em 2023 para 745 no ano passado, superando a média nacional de 4,9%.
Enquanto o RN apresentou alta significativa, outros estados nordestinos tiveram variações ainda maiores: Sergipe (19,9%), Bahia (14,8%) e Paraíba (12,6%). Apenas dois estados da região registraram redução: Maranhão (-10,8%) e Piauí (-7,5%).
O estado encontrou 384 pessoas em 2024 – aumento de 18% em relação às 325 localizadas em 2023. No entanto, o Anuário alerta para a falta de padronização nos critérios de registro, que não diferenciam, por exemplo, se as vítimas foram encontradas vivas ou mortas, nem se o retorno está vinculado a um desaparecimento reportado anteriormente.
Contexto nacional
O Brasil registrou 81,8 mil desaparecimentos em 2024, com apenas oito estados e o DF apresentando redução. Especialistas atribuem parte do crescimento à subnotificação crônica e à falta de políticas integradas de busca.
Organizações da sociedade civil cobram a implementação efetiva da Lei de Busca Imediata no RN, enquanto famílias de desaparecidos relatam dificuldades no atendimento policial. O estado ainda não possui um banco de dados unificado sobre o tema.
-
Setor pesqueiro do RN busca medidas emergenciais para enfrentar tarifa dos EUA
O impacto da sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros já força o setor pesqueiro do Rio Grande do Norte a adotar medidas drásticas. Em reunião nesta quinta-feira (31) na Federação das Indústrias (FIERN), empresários e lideranças do Sindipesca-RN discutiram propostas como isenção do ICMS sobre combustível para barcos e suspensão temporária de contratos de trabalho para evitar demissões em massa.
Com 80% da produção de atum destinada aos EUA – um mercado que movimenta R$ 250 milhões/ano e emprega 2,5 mil pessoas -, empresas já reduziram drasticamente as operações. Algumas frotas que costumavam enviar seis barcos ao mar agora operam apenas com dois, enquanto outras mantêm apenas metade da capacidade.
Medidas propostas
- Alívio fiscal: Isenção do ICMS sobre combustível até dezembro de 2025
- Proteção trabalhista: Suspensão de contratos com qualificação profissional via SENAI
- Busca por mercados alternativos: Contato direto com restaurantes e supermercados locais
Arimar Filho, presidente do Sindipesca-RN, alerta que sem ações emergenciais, os barcos podem paralisar completamente, já que os preços praticados no mercado interno não cobrem os custos operacionais. O setor também negocia com o Ministério da Agricultura para reabrir o mercado europeu, fechado desde 2018 por embargo sanitário.
A taxação americana atinge especialmente o RN, onde apenas dois dos dez principais produtos de exportação escaparam da medida. Enquanto aguardam soluções diplomáticas, os pescadores potiguares enfrentam dias de incerteza – muitos já trabalham em escala reduzida, com o sustento de suas famílias em risco.
O sindicato protocolizará as demandas no governo estadual ainda nesta semana, enquanto mantém diálogo com a Procuradoria do Trabalho para viabilizar o modelo de suspensão temporária de contratos sem prejuízos aos trabalhadores.
-
Paulinho Freire veta projeto que obrigava divulgação de canais de denúncia contra violência à mulher
O prefeito Paulinho Freire (UNIÃO) vetou em abril um projeto de lei que determinava a divulgação obrigatória de canais como o Disque 180 em eventos apoiados pela Prefeitura de Natal. A decisão, que ganhou repercussão após o caso de tentativa de feminicídio contra Juliana Soares no último sábado (26), foi justificada pelo Executivo como “inconstitucional” por interferir na administração municipal.
De autoria da vereadora Samanda Alves (PT), a proposta exigia a afixação de placas com informações sobre a Lei Maria da Penha e canais de denúncia em banheiros femininos e áreas de grande circulação de eventos culturais e esportivos patrocinados pelo poder público. O texto foi aprovado pela Câmara em março, mas barrado por Paulinho em 10 de abril.
Em mensagem à Câmara, o prefeito argumentou que o projeto “invadia competências do Executivo” ao definir políticas de governo, incluindo a criação de identidade visual e materiais de divulgação. A posição foi endossada pelo parecer do vereador Kleber Fernandes na Comissão de Justiça, mas ainda será submetida a votação em plenário.
O veto ocorre em meio à comoção pelo caso de Juliana, agredida com mais de 60 socos pelo ex-namorado. Samanda Alves classificou a decisão como “omissão diante de uma pauta urgente”: “É uma medida simples que poderia salvar vidas. Vetar isso é fechar os olhos para a realidade das mulheres da nossa cidade”.
A vereadora Brisa Bracchi (PT), coautora do projeto, destacou que a divulgação de canais de ajuda em eventos públicos é uma estratégia reconhecida internacionalmente para combater a violência de gênero.
Natal registrou aumento de 22% nos casos de violência doméstica no primeiro semestre de 2025, segundo a Secretaria de Segurança. O veto ao projeto contrasta com ações recentes como a campanha “Não É Amor”, lançada após o feminicídio frustrado em Ponta Negra.
A Câmara decidirá nas próximas sessões se mantém ou derruba o veto. Enquanto isso, organizações femininas prometem pressionar por políticas efetivas de proteção às mulheres.
-
Operação mira esquema de lavagem de dinheiro; Investigada tinha salário de R$ 1.600 e movimentou R$ 1,3 milhão
Uma investigação do Ministério Público do Rio Grande do Norte revelou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao tráfico de drogas, com movimentações financeiras milionárias incompatíveis com a renda declarada dos investigados. A Operação Vereda Grande, deflagrada nesta quinta-feira (31), cumpriu oito mandados de busca e apreensão em Natal, Assu e São Paulo, com a apreensão de valores em espécie, equipamentos eletrônicos e documentos.
Entre os alvos da operação está uma mulher que, apesar de declarar renda mensal de aproximadamente R$ 1.600, movimentou mais de R$ 1,3 milhão em um período de dois anos. Outro investigado, apontado como líder do esquema e sem fonte de renda formal registrada, movimentou R$ 1,1 milhão entre 2022 e 2024.
O grupo, vinculado à organização criminosa Sindicato do Crime, utilizava contas bancárias de “laranjas” – incluindo beneficiários de programas sociais como Auxílio Emergencial e Bolsa Família – para ocultar a origem ilícita dos recursos.
Origem da investigação
As apurações começaram após a Operação Sentinela, também do MP, identificar uma transação suspeita de R$ 300 mil entre uma investigada e um dos envolvidos no atual esquema. A análise de dados bancários mostrou que os suspeitos não tinham renda compatível com os valores movimentados, reforçando as evidências de lavagem de dinheiro.
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) busca enfraquecer o núcleo financeiro da facção, cortando o fluxo de recursos usados para financiar o tráfico de drogas e a aquisição de armas. Familiares de um dos principais investigados também estão sob análise por compartilharem contas e realizaram transações suspeitas.
-
Natal inicia campanha de vacinação antirrábica para cães e gatos nesta sexta-feira (1º)
A Prefeitura de Natal dá início nesta sexta-feira (1º) à Campanha de Vacinação Antirrábica 2025, que seguirá até 30 de setembro com o objetivo de imunizar cães e gatos a partir de três meses de idade, incluindo fêmeas gestantes ou em lactação. A ação é coordenada pelo Departamento de Vigilância em Saúde (DVS) e pela Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ).
Como funcionará a vacinação
- Domiciliar: Equipes percorrerão bairros de maior risco (Pajuçara, Alecrim, Nossa Senhora da Apresentação, Ponta Negra e Felipe Camarão) de segunda a sábado, das 7h às 13h
- Postos fixos: UBS Pajuçara, Panatis, São João (Tirol), Satélite e Policlínica Oeste (atrás da UPA Cidade da Esperança)
A Secretaria Municipal de Saúde alerta que a raiva tem letalidade próxima a 100% e a vacina é a única forma eficaz de prevenção. Dois casos da doença já foram confirmados em morcegos este ano nos bairros Pitimbu e Barro Vermelho.
População deve evitar contato com animais de comportamento agressivo e acionar a UVZ pelo WhatsApp (84) 3232-8235 em casos suspeitos
-
EUA avaliam veto a torcedores brasileiros durante Copa do Mundo de 2026
O governo norte-americano estuda proibir a entrada de torcedores brasileiros durante a Copa do Mundo de 2026, segundo informações da CNN Brasil. A medida, em análise pela administração Trump, seria mais uma retaliação às tensões diplomáticas com o Brasil e seguiria o mesmo modelo já aplicado a cidadãos iranianos desde junho passado.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) acompanha a situação com preocupação, mantendo diálogo discreto com o governo federal para tentar garantir o direito dos torcedores de acompanhar a seleção. A entidade esportiva argumenta que o futebol não deveria ser afetado por disputas políticas, mas evita confrontos diretos com as autoridades americanas. A Fifa, presidida por Gianni Infantino – considerado aliado de Trump – ainda não se pronunciou sobre o possível veto.
O cenário preocupa especialmente porque o Brasil é a única seleção a ter participado de todas as edições da Copa do Mundo e tradicionalmente leva milhares de torcedores para acompanhar os jogos. Caso a medida seja implementada, os torcedores brasileiros poderiam ser forçados a assistir aos jogos do México ou Canadá, países que dividem a sede do torneio, mas que não anunciaram restrições similares.
A possibilidade ganhou força após declarações do vice-presidente americano JD Vance, que recentemente sugeriu que torcedores internacionais deveriam “voltar para casa” após os jogos. Se confirmada, a restrição criaria um precedente inédito, já que em todas as Copas anteriores os torcedores brasileiros puderam circular livremente pelo país sede.
As tensões entre Brasil e EUA já resultaram em medidas como tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e sanções a autoridades, incluindo o ministro do STF Alexandre de Moraes. Agora, o esporte pode se tornar mais uma frente desse conflito diplomático, com potenciais impactos para os torcedores e para o próprio evento esportivo. A CBF busca soluções alternativas enquanto aguarda definição oficial do governo americano.