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Olá, queridos! Como vão?
Essa frase que eu quis usar como título não é a original e também já está bastante batida, eu sei disso. Mas vamos combinar que é uma adaptação engraçada, e bem real em muitas vezes, da frase da qual se originou. O mantra espiritual “Entrego, Confio, Aceito e Agradeço” é uma meta que colocamos para nós, mas nem todos, e nem sempre, conseguimos seguir.
Por isso a ideia de surtar um pouquinho no processo trás esse humor, justamente pelo fato de ser tão real e de nos identificarmos com isso. Qualquer processo das nossas vidas passa por essas etapas, inclusive o surto. O processo do autoconhecimento tende a trazer essa etapa mais vezes ainda. Não é fácil encarar de frente a nós mesmos. Mas que bom que seguimos tentando.
Só que eu não quero falar com vocês hoje sobre o surto. Quero falar de algo que precisa existir além dele. A segurança de saber onde estamos pisando e, com isso, ter determinação para chegar onde queremos. Mesmo surtando pelo caminho.
Eu gosto muito de um de um conceito que aprendemos desde muito cedo, ensinado de geração para geração, que nos orienta a “colocar o pé que depois Deus coloca o chão”. Essa ideia, essa crença, além de impactante e forte, fala muito de fé. Fala de crer que não importa onde formos, Deus estará lá cuidando e preparando nossos caminhos.
(E aqui, com toda licença que peço, interpretem Deus, e qualquer referência que vier, como vocês têm dentro de vocês. Seja uma imagem religiosa, uma exotérica, metafísica, ou até mesmo a ausência de crença espiritualista e confiança nas aleatoriedades da vida).
Essa ideia de botar o pé antes de ver o chão vai muito além de ter fé. Ultrapassa a crença de que tudo vai dar certo. Que as coisas vão se organizar da melhor forma. Que o Universo conspira. É uma ideia que fala também sobre não precisar esperar estar tudo pronto para começar.
Colocar o pé significa começar algo, iniciar aquilo que se quer fazer. Simplesmente começar. À medida que começamos a fazer alguma coisa nova, tudo em volta começa a se adequar a isso. Já perceberam? Nossa energia começa a fluir naquela nova direção, as oportunidades e os caminhos começam a se mostrar naquele sentido.
Até mesmo nossos medos se vão e a dúvida desaparece. É exatamente como colocar o pé primeiro para o chão aparecer depois. Isso não é mágica nem misticismo. É sobre familiaridade e pertencimento. Quando eu encaro um universo novo de frente e me jogo nele, em algum momento aquilo me vai ser rotineiro, familiar. E tudo que eu fizer vai estar voltado para aquilo.
Eu tento sempre me guiar por uma frase que ouvia muito em um curso que fiz: “Antes feito que perfeito”. É isso. A gente não precisa esperar as melhores condições para começar algo. A gente precisa começar. As condições vêm depois. Pode acreditar.
O filósofo contemporâneo, e queridinho das redes sociais, Mario Sergio Cortella tem uma fala nesse mesmo sentido: “Faça o teu melhor, nas condições que você tem, enquanto não tem condições melhores para fazer melhor ainda.”. É o botar o pé antes do chão vir. Trazendo para nossas vidas, é a prática que vem antes da experiência. Profissionais renomados e com vasto currículo um dia foram recém formados tão verdes no mercado como qualquer outro.
Se pisamos antes de ver o chão de forma determinada, nossos pés vão encontrar um chão firme e assim conseguiremos caminhar com tranquilidade para alcançar aquilo que queremos. Temos de começar em algum lugar, nos preparar para onde queremos chegar, para que quando chegarmos lá, tenhamos a experiência, o conhecimento e o preparo para saber lidar com tudo aquilo.
Ter fé que o chão vem é também acreditar que aquele caminho que estamos buscando vai chegar onde queremos, que merecemos alcançar o ponto que desejamos. Senão nem teríamos começado, não é mesmo? Ter fé que o chão vem é nos entendermos merecedores daquilo para o que estamos nos preparando e ir atrás com vontade. Isso também é saber receber o que queremos.
Ter fé que o chão vem é, além de tudo isso, agradecer pelo pedacinho de chão que já estamos pisando antes de dar o próximo passo. Afinal, se não fosse o chão onde já estamos pisando, não teríamos onde nos sustentar e nem mesmo a coragem de avançar.
Acredito muito que o sentimento de fé que o chão vem, juntamente com a gratidão pelo pedacinho de chão que já conquistamos, é a fórmula perfeita para enfrentarmos as mais longas e difíceis jornadas. E, claro, para chegar onde quisermos.
Eu coloquei essa foto no destaque para ilustrar isso que eu queria dizer nesse texto de hoje. Essa tatuagem é minha. Fiz num momento em que precisava internalizar que eu devia ir atrás de tudo aquilo que eu queria. Material, emocional, psicológica e evolutivamente. Eu precisava colocar o pé. Mas quis também marcar em mim a gratidão por tudo que já tinha, especialmente por tudo que já tinha aprendido.
Nela se lê “Viva a vida que ama. Ame a vida que vive”. A palavra no meio VIDA está seguindo a segunda frase, para enfatizar que antes vem a gratidão e o reconhecimento por tudo que eu já tinha, antes de sair buscando o tudo que eu queria.
Eu marquei em mim a gratidão como meio de vida que me daria a segurança e firmeza que precisava para ousar, para crescer, para avançar.
Hoje, quando quero começar um caminho novo, eu lembro sempre de olhar para os meus pés, agradecer o chão que estou pisando, dar o primeiro passo sem olhar, mas já com a certeza de que o chão vai estar lá quando eu pisar.
Se fizermos isso, é claro que no começo dessa nova caminhada podemos muito bem estar descalços, com um tornozelo torcido e o outro pé com bolhas, pisando num chão de relevo acidentado e cheio daquelas pedrinhas tipo brita, furando o pé. Mas é certo que à medida em que formos caminhando, em algum momento o chão vai virar piso de mármore e nossos pés estarão curados.
Pode demorar para chegar a esse ponto? Pode! Podemos surtar no meio do caminho? Várias vezes, inclusive. Podemos desistir? Até é uma possibilidade, não vou mentir. Mas, se esse novo caminho que inventamos de percorrer, seja o que for que queremos alcançar em nossas vidas, se esse destino vale muito a pena a gente vai seguir.
Desistir de algo que não faz sentido para nós é parte da vida, sim! Só que mais presente ainda em nós é desejo de alcançar o que queremos, a coragem de enfrentar tudo, a determinação de mudar aquilo que nos incomoda, a fé que o chão vai estar lá. E por isso a gente começa como pode e vai aprendendo no caminho.
Porque uma coisa é certa, entre passar a vida esperando ver tudo pronto para eu poder começar e dar o primeiro passo confiando que tudo se apruma no caminho, eu escolho sempre ter fé e seguir em frente!
E vocês?
Até a próxima!







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