Em dez anos, RN multiplica saldo comercial e consolida força nas exportações



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Em dez anos, RN multiplica saldo comercial e consolida força nas exportações





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O Rio Grande do Norte encerrou a última década com um desempenho expressivo no comércio exterior, consolidando uma mudança estrutural em sua inserção internacional. Entre 2016 e 2025, o saldo da balança comercial potiguar saltou de pouco mais de US$ 100 milhões para cerca de US$ 650 milhões, um crescimento de 6,5 vezes no período. O avanço foi impulsionado, principalmente, pela expansão consistente das exportações, que quase quadruplicaram em dez anos.

Em valores absolutos, as vendas externas do estado passaram de US$ 284,5 milhões em 2016 para US$ 1,086 bilhão em 2025, o que representa uma alta acumulada de 281,75%. O melhor momento da série histórica ocorreu em 2024, quando o Rio Grande do Norte exportou US$ 1,142 bilhão — incremento de 301% em relação ao início do período analisado. No ano seguinte, houve uma leve retração de 4,9%, considerada pontual diante da trajetória de crescimento observada ao longo da década.

Os dados integram o boletim Balança Comercial do Rio Grande do Norte – Análise de 2016 a 2025, elaborado pelo Sebrae-RN com base em informações do Comex Stat, sistema oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A pauta exportadora potiguar segue relativamente concentrada. No acumulado da década, cerca de 58% das exportações estiveram concentradas em três grupos: combustíveis, melões frescos e melancias frescas. Os combustíveis responderam por aproximadamente um terço do valor total exportado, enquanto os melões representaram 18% e as melancias, 7%. Também figuram entre os principais produtos itens como sal marinho, tecidos de algodão e ouro.

Um dos destaques mais recentes é a mineração. Impulsionada pelo Projeto Borborema, a exportação de ouro registrou crescimento superior a 1.000% entre 2024 e 2025, com o volume exportado saltando de apenas 1 quilo para 1.329 quilos. No ranking de destinos das exportações potiguares ao longo do período analisado aparecem Holanda, Estados Unidos, Singapura, Panamá, Reino Unido e Espanha.

O estudo também aponta impactos externos relevantes. Durante o período de vigência do tarifaço imposto pelos Estados Unidos — que acrescentou uma tarifa de 40% sobre determinados produtos brasileiros — as exportações do Rio Grande do Norte apresentaram queda aproximada de 30% na comparação entre 2024 e 2025. Produtos fora da lista de exceções, como peixes e alguns tipos de granito, foram os mais afetados.

Apesar desses desafios, a fruticultura permanece como um dos pilares do comércio exterior do estado. Empresas do setor ampliaram volumes e diversificaram mercados, especialmente na Europa. A tendência de crescimento contínuo reforça a posição do Rio Grande do Norte como um dos principais polos exportadores de frutas do país, com destaque para o melão, a melancia e os cítricos.

Sob a ótica setorial, lideranças da fruticultura avaliam que o momento é estratégico. Além da consolidação no mercado europeu e norte-americano, o setor observa oportunidades em novos destinos, como a China, cuja ampliação das compras depende, atualmente, da oferta de fretes marítimos regulares.

O boletim do Sebrae-RN também chama atenção para a estrutura da pauta exportadora. Predominam produtos de alto volume e baixo valor agregado, como combustíveis e frutas in natura. Em contrapartida, itens com maior valor por quilograma — a exemplo do ouro, tecidos de algodão e produtos específicos da indústria — aparecem como oportunidades para diversificação e agregação de valor às exportações potiguares.

Do lado das importações, o comportamento foi mais instável. Após uma queda até 2019, houve forte crescimento a partir de 2020, com pico em 2023, impulsionado principalmente pela entrada de células fotovoltaicas na pauta. Em 2025, as importações recuaram para US$ 436 milhões, refletindo a redução nas compras desse item e de combustíveis como o óleo diesel.

Ao final da década analisada, o diagnóstico é claro: o Rio Grande do Norte alcançou um novo patamar no comércio exterior. O desafio agora é transformar volume em valor, diversificar produtos e mercados e tornar a base exportadora mais resiliente frente às oscilações do cenário internacional.




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