O litoral de Pipa, em Tibau do Sul, no Rio Grande do Norte, transformou-se em matéria-prima criativa para o ceramista André Renan, de 42 anos, vencedor do primeiro lugar no 5º Salão Ceramistas do Brasil, prêmio nacional concedido nesta quinta-feira (22). A obra premiada, intitulada Resgate nas Profundezas, apresenta um escafandro envolto por um polvo e se destacou entre trabalhos enviados de diversas regiões do país.
Radicado em Pipa há 16 anos, o artista afirma que a convivência cotidiana com o mar e a biodiversidade local redefiniu seu percurso pessoal e estético. Natural do interior paulista, onde cresceu distante do ambiente litorâneo, André encontrou no oceano uma nova linguagem visual, fortemente ligada à fauna, à pesca artesanal e à cultura costeira.
Formado em Artes Plásticas, com habilitação em escultura, pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná, ele atuou no Instituto de Arte Cerâmica, em São Paulo, antes de se mudar para o Rio Grande do Norte, em 2009. Na região, exerceu diferentes atividades profissionais — de professor a fotógrafo — até decidir, durante a pandemia, dedicar-se integralmente à produção artística.
Em 2021, ao lado da esposa, fundou a Aratu Cerâmica, empreendimento que une produção autoral e sustentabilidade econômica. O ateliê fabrica peças utilitárias, como pratos, copos e jarras, sempre com elementos escultóricos integrados, além de obras exclusivamente artísticas.
A escultura premiada integra uma série autoral de escafandros desenvolvida recentemente pelo artista. O trabalho é produzido sem moldes, por meio da técnica do acordelado, em que a peça é construída manualmente, camada por camada. O processo inclui queima em alta temperatura, superior a 1.200 graus, utilizando uma massa cerâmica preparada com minerais que garantem resistência e impermeabilidade.
Para André, o prêmio representa mais do que reconhecimento estético. Segundo ele, a conquista valida um caminho artístico construído fora dos grandes centros e reforça a potência criativa do Nordeste no cenário nacional da cerâmica contemporânea.
As obras do artista são comercializadas na loja-ateliê em Pipa, frequentada por turistas brasileiros e estrangeiros, e também por meio de plataformas digitais.








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