Enquanto o Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep) disponibiliza gratuitamente 1.400 vagas diárias para emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN), um mercado paralelo de agendamentos vem se consolidando no Rio Grande do Norte. Reportagem do G1 RN identificou que cidadãos estão pagando entre R$ 10 e R$ 20 a terceiros para garantir atendimento que, por lei, deveria ser acessível sem custos.
O esquema opera principalmente através de grupos no WhatsApp, onde “agendadores profissionais” oferecem o serviço com promessa de eficiência. “Você me passa os dados, faz o PIX, e no dia seguinte eu envio o comprovante de agendamento”, explicou uma das prestadoras, que afirmou atender até dez clientes diariamente. A prática se estende também a agendamentos no Detran e outros órgãos públicos.
Pedro Meira, subcoordenador do Instituto de Identificação do Itep, alerta que a autarquia já encaminhou denúncias à Polícia Civil. “Essas pessoas simplesmente acessam o sistema no mesmo horário que qualquer cidadão poderia fazer – às 8h da manhã – mas cobram por um serviço que é público e gratuito”, explica.
A dificuldade no acesso legitima o mercado irregular. Edmilson Ferreira, mecânico, relatou ter levado vários dias de tentativas até conseguir marcar seu atendimento. Já uma usuária que preferiu não se identificar justificou o pagamento de R$ 10: “Em 30 dias não consegui, ela resolveu em menos de 48 horas”.
O Itep reforça que as carteiras de identidade atuais permanecem válidas até 2032 e que o serviço está disponível em mais de 100 municípios potiguares através de parcerias com prefeituras. A orientação é que a população só busque a segunda via em casos de perda ou dano ao documento, aliviando a pressão sobre o sistema.








Deixe um comentário