Informações envolvendo um resort no Paraná reacenderam questionamentos sobre a atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli como relator do inquérito que investiga suspeitas de fraude no Banco Master. O empreendimento, o Tayayá Resort, aparece em transações que envolvem parentes do magistrado e pessoas ligadas ao banco investigado.
Localizado em Ribeirão Claro (PR), o Tayayá Resort já teve vínculos diretos com a família de Toffoli. Dados da Receita Federal indicam que a Maridt Participações S.A., pertencente a irmãos do ministro, integrou o quadro societário do empreendimento. Em abril de 2025, o resort foi adquirido pelo advogado Paulo Humberto Barbosa, que atua para a JBS.
A operação foi estruturada por meio de um fundo de investimento administrado pela financeira Reag, instituição citada na Operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o PCC. A Reag também aparece em relatórios do Banco Central sobre operações irregulares realizadas em conjunto com o Banco Master.
Segundo registros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia aportou cerca de R$ 4,3 milhões para aquisição de ações do resort. O mesmo fundo teria investido valores expressivos em empresas que já contaram com parentes de Toffoli em seus quadros societários.
Além disso, levantamento em dados públicos aponta que o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região pagou aproximadamente R$ 450 mil em diárias de servidores para apoio de segurança a uma autoridade do STF em Ribeirão Claro, entre 2022 e 2025. Não há identificação oficial do beneficiário do serviço.
O caso ganhou novos desdobramentos após o deputado federal Sanderson (PL-RS) protocolar pedidos de investigação junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), solicitando apuração sobre eventual conflito de interesses na atuação de Toffoli.
Em nota, o presidente do STF, Edson Fachin, saiu em defesa do ministro, afirmando que não há irregularidades na condução do inquérito e que eventuais controvérsias poderão ser analisadas após o recesso do Judiciário. A Reag informou que não comentará o caso, e a defesa do Banco Master nega qualquer envolvimento com práticas ilícitas.








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