Imóveis localizados no Rio Grande do Norte já estão sendo incorporados ao Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB), sistema nacional que cria um número único de identificação para cada propriedade — apelidado de “CPF dos imóveis”. A nova base passa a ser utilizada por cartórios e órgãos federais e começa a produzir efeitos práticos a partir de 2026, com impacto direto sobre proprietários, locatários e investidores.
No estado, a mudança tem peso especial por causa do perfil do mercado imobiliário. O RN reúne um grande volume de imóveis alugados e de uso sazonal, sobretudo em áreas litorâneas, muitos deles com contratos informais ou documentação desatualizada. Segundo o Censo Demográfico de 2022, 21,7% dos domicílios potiguares são ocupados por aluguel. Em Natal, esse índice chega a 31,4%, o maior entre as capitais do Nordeste.
O cenário é reforçado pela valorização do mercado de locação. Em 2025, o valor médio dos aluguéis residenciais na capital potiguar subiu 10,13%, superando a inflação do período e colocando Natal como a terceira capital nordestina com maior rentabilidade nesse segmento.
Com o CIB, contratos de aluguel, registros em cartório e declarações fiscais passam a ser integrados, permitindo o cruzamento de dados pela Receita Federal. Na prática, isso reduz a possibilidade de omissão de rendimentos no Imposto de Renda e amplia o controle sobre operações imobiliárias.
O cadastro também será utilizado para a verificação de tributos como IPTU, ITBI e ITCMD. A partir de 2026, prefeituras terão mais instrumentos para identificar imóveis com valores declarados abaixo do mercado, o que pode levar a revisões fiscais.
Embora não seja necessária ação imediata dos proprietários, especialistas recomendam revisar escrituras, matrículas e contratos. Os cartórios têm prazo até o fim de 2026 para concluir a migração, e, a partir de 2027, o CIB será exigido também por estados e municípios.






Deixe um comentário