Apesar do volume expressivo de recursos previstos para investimentos em 2026, o Governo do Rio Grande do Norte e a Prefeitura do Natal enfrentam um cenário de forte restrição fiscal, que limita a capacidade de expansão de novos projetos. A Lei Orçamentária Anual (LOA) estadual estima investimentos de R$ 2,31 bilhões, enquanto a capital potiguar prevê R$ 589,4 milhões. No entanto, tanto o Estado quanto o Município reconhecem entraves estruturais nas contas públicas.
No caso do RN, o orçamento aprovado pela Assembleia Legislativa projeta uma receita de R$ 25,67 bilhões frente a despesas fixadas em R$ 27,21 bilhões, resultando em um déficit nominal de cerca de R$ 1,54 bilhão. Em comunicado oficial, a ALRN destacou que o orçamento de 2026 apresenta “forte rigidez fiscal”, reflexo do peso de despesas obrigatórias, como pessoal, previdência e custeio da máquina pública.
Esse contexto faz com que os investimentos se concentrem majoritariamente em obras de manutenção, recuperação ou continuidade. Do total previsto, o Departamento de Estradas de Rodagem concentra mais de R$ 1,1 bilhão, sobretudo para restauração da malha viária estadual, enquanto áreas como saúde, recursos hídricos e educação recebem aportes mais pontuais.
Em Natal, a situação é semelhante. O orçamento total do Município é estimado em R$ 5,85 bilhões, mas o próprio projeto da LOA classifica o volume de investimentos como “tímido”. O total destinado a investimentos caiu 11,61% em relação a 2025, passando de R$ 657,9 milhões para R$ 589,4 milhões em 2026.
A Secretaria Municipal de Planejamento aponta que, do montante reservado para obras e instalações, cerca de 76% será aplicado em projetos já existentes, como reformas, ampliações e manutenções. Apenas 4% dos recursos serão direcionados a obras novas, evidenciando a dificuldade do Município em iniciar grandes empreendimentos sem comprometer o equilíbrio fiscal.
Mesmo com prioridades bem definidas, especialmente em infraestrutura urbana, saúde e educação, o cenário orçamentário indica que 2026 será um ano de gestão cautelosa, com foco na preservação de serviços essenciais e na conclusão de projetos em andamento.






Deixe um comentário