O comentarista da Globo News Guga Chacra disse que o ataque de Donald Trump à Venezuela, mesmo que condenável, é similar às invasões a outros países realizadas durante os governos de Obama e de George W. Bush. Segundo ele, a única diferença estaria na forma direta, sem papas na língua, como Trump expôs o assunto.
O problema desse raciocínio é que a ação do atual presidente dos EUA não é pontual. Ela não se resume a uma operação militar na Venezuela. Trump também ameaça invadir a Groelândia, território vinculado à Dinamarca. Além disso, ele interfere no conflito entre a Rússia e a Ucrânia e coloca o dedo nos ataques de Israel contra a Palestina.
Na verdade, para quem conhece um pouco da história da Alemanha no período em que antecedeu o início das ações da Segunda Guerra, salta aos olhos a total semelhança entre o comportamento do chefe americano e os pronunciamentos e condutas de Adolf Hitler.
A superioridade racial dos habitantes, as ameaças e invasões de nações cujos governos não se subordinavam aos seus interesses, xenofobia explícita, ofensa às regras de direito internacional e o desdém às leis nacionais. Tudo rigorosamente idêntico.
É bom lembrar, que antes da Segunda Guerra Mundial Hitler anexou à Alemanha tanto a Áustria quanto parte da Tchecoslováquia, sob o argumento de que esses países eram habitados por descendentes germânicos.
Como não houve reação da comunidade internacional, ele seguiu em frente. Espertamente, fez um acordo prévio de não agressão mútua com a União Soviética de Stalin. E só depois foi que invadiu e tomou conta da Polônia, de forma explícita e sem justificativa.
Como disse o cientista político César Benjamim, o próprio discurso de Trump é igual ao de Hitler. As mesmas hierarquias, categorias e lógica. Semelhante brutalidade. O mesmo prazer sardônico e idêntica verborragia teatral.
Não é que Trump seja um duplo de Hitler. Mas é evidente que a analogia pode servir muito bem de orientação para identificar o que está por vir, mesmo que em um contexto diverso.
Seguindo novamente as palavras de Benjamim, é certo, como dois mais dois são quatro, que a real dimensão de Trump e das suas práticas ficará para o futuro. Hoje, por exemplo, com distanciamento histórico, é fácil repudiar o discurso de Hitler, mas não era assim em tempo real, até porque todas as suas consequências ainda não estavam claras.
Quantas pessoas sabem, por exemplo, que em suas homílias Hitler pregava democracia e liberdade?
A pergunta de um milhão de dólares é a seguinte: será que, assim como aconteceu com o ditador alemão, o mundo somente conseguirá compreender e combater Donald Trump quando ele já estiver se lançado, de corpo e alma, numa aventura atômica, tornando-se uma espécie de Hitler das Américas?


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