Aprender a competir, esquecer o pensar: a anomia neoliberal e a urgência de uma revolução democrática na escola


Para o francês, a escola opera como empresa, o professor como gestor e o estudante como investidor de seu “capital humano”.


Ícone de crédito Para Laval, o "autogoverno" é uma utopia concreta. Imagem: reprodução


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Aprender a competir, esquecer o pensar: a anomia neoliberal e a urgência de uma revolução democrática na escola


Para o francês, a escola opera como empresa, o professor como gestor e o estudante como investidor de seu “capital humano”.




Ícone de crédito Para Laval, o "autogoverno" é uma utopia concreta. Imagem: reprodução


Christian Laval, sociólogo francês, autor de obras como A Nova Razão do Mundo (em parceria com Pierre Dardot) e A Escola Não é uma Empresa, concedeu uma entrevista a Vinícios de Oliveira, no Porvir, e levantou questões a respeito da perda de sentido da finalidade educativa quando os objetivos pedagógicos passam a mirar eficiência e performance. Muito se fala em resistência — mas é possível fazer dessa resistência uma ofensiva?

A pedagogia da concorrência

A questão que Laval recoloca com desconcertante simplicidade — “para que educar?” — é também o sintoma de uma crise civilizacional. O neoliberalismo não se contentou em reformar a economia: ele colonizou a alma. E é na escola que essa colonização se realiza com mais sutileza. Ali, a criança aprende, antes de tudo, a competir. O professor é reconfigurado como gestor; o estudante, como investidor de seu “capital humano”. A escola torna-se uma empresa e o saber, uma mercadoria fictícia.

Laval mostra que o neoliberalismo não é apenas uma doutrina econômica, mas uma forma total de governo da vida. A educação, submetida à lógica da eficiência, passa a operar como extensão do mercado. O que antes era o espaço da reflexão crítica e da formação de cidadãos é transformado em uma fábrica de competências, índices e métricas.

“O que entendemos por neoliberalismo não é simplesmente uma política econômica particular, uma política monetária ou uma política de oferta. O neoliberalismo é, na verdade, muito mais uma lógica geral de governo da sociedade e dos indivíduos; é a ideia de que toda a sociedade deve ser submetida a uma lógica de concorrência, a uma forma empresarial, e de que o mercado e a empresa são formas universais que devem ser aplicadas a todas as atividades e esferas institucionais.”

A consequência desse tipo de sociabilidade é um tipo de sujeito mutilado: um “homem econômico”, nas palavras dele, treinado para sobreviver, mas não para deliberar.

A perda do sentido e a produção da anomia

Quando a escola promete ascensão social e entrega apenas reprodução das desigualdades, instala-se uma frustração — e, com ela, a anomia, a perda de sentido coletivo. Laval identifica nessa frustração o terreno fértil para o autoritarismo: se a economia falha em integrar, o neofascismo oferece o castigo como falsa coesão.

O resultado pode ser devastador. A escola, reduzida a um campo de treinamento para o mercado, já não forma sujeitos, mas operadores de um sistema que não compreendem. Jovens aprendem a buscar diplomas como quem acumula pontos num jogo cujo prêmio é cada vez mais ilusório.

É o mesmo mecanismo que Mark Fisher diagnosticou ao falar do “realismo capitalista”: a sensação de que não há alternativa. A educação, em vez de romper essa sensação, passa a reproduzi-la. O estudante é interpelado não como cidadão, mas como competidor; o professor, não como agente público, mas como gerente da própria obsolescência. O aprendizado deixa de ser uma experiência de mundo e torna-se uma preparação infinita para um futuro que nunca chega.

“Ser qualificado não é suficiente”

Mas Christian Laval não é um pessimista. Sua proposta é, ao mesmo tempo, radical e serena: refundar a educação em bases democráticas, instaurando a experiência do autogoverno dentro da própria escola. Se a crise é da finalidade — se já não sabemos “para que educar” —, a resposta está em devolver à educação seu horizonte político: formar sujeitos livres, solidários, capazes de deliberar juntos sobre o que é comum.

“Embora seja evidente que o sistema educativo deva formar trabalhadores qualificados, isso não é suficiente para a formação de um adulto responsável. Nós pertencemos a uma coletividade com interesses comuns. Uma educação hiperespecializada cria o perigo de que as pessoas não tenham mais como se comunicar umas com as outras.”

A refundação de que fala Laval não pode vir de decretos nem de reformas tecnocráticas. Só tem como se concretizar, na visão dele, a partir de uma prática concreta da democracia nas escolas, nas salas de aula, entre educadores. Laval insiste: o educador só pode formar cidadãos autônomos se ele próprio vive uma experiência de autonomia coletiva. É preciso libertar a docência da lógica hierárquica e do “chefe-manager”, criando formas de autogestão, cooperação e deliberação real. Não se trata de anarquia pedagógica, mas de responsabilidade compartilhada.

A nova cultura comum

A educação democrática proposta por Laval exige uma nova cultura comum — uma que reintegre saberes hoje fragmentados entre as ciências “úteis” e as “humanas”. Tal cultura precisa incluir sociologia, política e ecologia, porque sem compreender o mundo não há como transformá-lo.
Nesse ponto, a escola torna-se laboratório do futuro democrático: lugar onde se aprende a pensar juntos, onde o saber não é posse, mas experiência coletiva.

A inteligência artificial e a automação apenas acentuam a urgência dessa virada. O risco, como Laval adverte, é repetir no plano cognitivo o que Marx descreveu na maquinaria industrial: a transferência do saber humano para sistemas que nos isolam. Para resistir à individualização tecnológica, a escola deve tornar-se o oposto do algoritmo — espaço da conversa, da cooperação, do encontro.

O horizonte democrático

“Autogoverno” — é essa a palavra que condensa a utopia concreta de Laval. Uma sociedade democrática, diz ele, é aquela em que todos participam das decisões que os afetam diretamente. Isso vale tanto para a política quanto para a sala de aula. Formar cidadãos, portanto, não é ensinar regras de convivência; é criar condições para que decidam sobre elas. A educação não deve preparar para o mercado, mas para o governo de si e do comum.

“Se o educador está preso a relações hierárquicas rígidas, subordinado a um diretor ou inserido em uma burocracia local, ele vive uma experiência de obediência e controle. E como esperar que alguém que apenas cumpre ordens forme sujeitos autônomos? Ele acaba reproduzindo o que vivencia. A única saída possível é que o próprio educador seja autônomo. Mas não estamos falando de uma autonomia individualista, e sim de uma autonomia coletiva”.

E é aqui que a filosofia se reencontra com a pedagogia: educar é um ato político. É o gesto de negar que a vida se resuma à performance, à eficiência, à rentabilidade. É recusar o cinismo da sobrevivência e apostar, novamente, na possibilidade de um mundo comum.

O neoliberalismo nos ensinou a competir; a educação democrática precisa nos reaprender a cooperar. E talvez seja essa a mais subversiva das lições: imaginar que ainda podemos aprender juntos, contra a máquina que nos quer sozinhos.


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