A Prefeitura do Natal deu início a um esforço inédito para zerar, em até nove meses, a fila de 5.794 crianças com suspeita de Transtorno do Espectro Autista (TEA). O novo serviço de Avaliação Global começou a funcionar no Espaço Crescer, no bairro do Alecrim, e tem capacidade para atender até 600 crianças por mês — um salto que pretende acelerar diagnósticos e garantir o início mais rápido das terapias.
O atendimento é voltado a crianças e adolescentes de 0 a 14 anos e 11 meses. O serviço funciona em dois turnos, com equipes multidisciplinares compostas por psicólogos, fonoaudiólogos, aplicadores de ABA, psicopedagogos, nutricionistas, neuropsicólogos e com o suporte de um neuropediatra.
Fluxo de atendimento e encaminhamentos
A diretora do CEI Leste II, Érica Melo, explica que o acesso ocorre via regulação das Unidades Básicas de Saúde (UBS), onde a triagem inicial é realizada. Ao chegar ao Centro, a criança passa por uma triagem com psicólogo e, conforme o grau de suporte necessário, permanece no local ou é encaminhada ao Centro Especializado de Reabilitação Adulto Infantil (CERAI).
Segundo Érica, muitas crianças já chegam com algum laudo devido ao longo tempo de espera e são encaminhadas diretamente para as terapias. Cada criança pode ser atendida por até dez sessões dentro do protocolo multidisciplinar.
Relatos das famílias
Entre as crianças atendidas está José Davi, de 7 anos, acompanhado da mãe, Katiucia de Oliveira, moradora da Zona Norte. Na fila há dois anos, o menino já possuía laudo particular obtido com apoio da Defensoria Pública. No CEI, ele passou por psicólogo, neuropsicólogo e psicopedagogo, aguardando atendimento de ABA, fonoaudiólogo e nutricionista. “O que queremos é dar continuidade aos tratamentos dele”, afirma a mãe.
Desafios e apelo às famílias
Embora o serviço esteja ampliado, Érica Melo alerta para um problema: a ausência das crianças convocadas. Das 245 chamadas mais recentes, grande parte não compareceu. “Pedimos às famílias que atualizem telefone e endereço na UBS. Estamos chamando todos por ordem”, reforça.
Estruturação do fluxo e expansão dos serviços
Para o secretário municipal de Saúde, Geraldo Pinho, o maior obstáculo era a falta de um fluxo organizado de triagem e encaminhamento. “Com o Espaço Crescer, ampliamos a oferta de avaliações, impactando diretamente na redução da fila”, afirma.
Os próximos passos incluem a criação de uma sala multissensorial e a expansão do serviço para a Policlínica Norte, o que deve descentralizar o atendimento e alcançar ainda mais crianças.
Com as novas medidas, a expectativa da gestão é transformar um cenário marcado por longas esperas em um sistema capaz de oferecer diagnóstico e intervenção com mais rapidez e eficiência.







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