O Ministério de Minas e Energia (MME) finalizou o estudo de planejamento que viabiliza o leilão do novo corredor expresso Bipolo Nordeste 2, um sistema de transmissão de 2.500 km que ligará Angicos (RN) a Itaporanga 2 (PR). O empreendimento será o primeiro do país — e um dos poucos no mundo — a operar tecnologia VSC (Voltage Source Converter) em longa distância, permitindo controle altamente preciso da potência e maior estabilidade na integração de fontes renováveis, como energia eólica e solar.
Segundo o MME, o corredor Nordeste–Sul atende a necessidades estruturais do Sistema Interligado Nacional (SIN). A expectativa é ampliar a capacidade de exportação de energia do Nordeste dos atuais 13 GW, em 2025, para 24 GW, em 2035. Com isso, será possível viabilizar até 60 GW de potência instalada em geração renovável no Norte e Nordeste ao longo da próxima década — um salto decisivo para a matriz energética brasileira.
O projeto se apoia em estudos recentes da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), como explica o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Ele destaca que a tecnologia VSC aumenta a flexibilidade operativa do sistema elétrico, reduz vulnerabilidades e fortalece a transição energética brasileira.
“Essa expansão acelera a transição para fontes renováveis de forma segura e eficiente. Também amplia a competitividade industrial, apoiando a nova economia verde, a produção de hidrogênio de baixa emissão e a instalação de data centers”, afirmou.
O secretário Nacional de Transição Energética e Planejamento, Gustavo Ataíde, ressaltou que a nova linha ainda ampliará significativamente a capacidade de importação de energia pelo Sul, chegando a 17 GW em 2033 e 18 GW em 2035. Para ele, o reforço representa mais segurança em cenários de escassez hídrica e apoio ao crescimento de novas cargas industriais.
No Rio Grande do Norte, o anúncio foi recebido como um avanço estratégico. A governadora Fátima Bezerra afirmou que a expansão das linhas de transmissão atende às novas demandas do estado, principal produtor de energia eólica do país.
“Produzimos um volume expressivo de energia que precisa ser escoado com segurança. Esse investimento é uma conquista essencial para consolidar novos projetos”, disse.
O secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico, Hugo Fonseca, acrescentou que o conjunto de obras — incluindo compensadores síncronos e outras intervenções — garantirá ao RN segurança operativa para continuar atraindo investimentos.
“Isso permitirá escoar nossa produção pelas próximas décadas e impulsionará bilhões de reais em novos projetos”, declarou.






Deixe um comentário