A capital potiguar caiu 16 posições no Ranking do Saneamento 2025, divulgado pelo Instituto Trata Brasil, ocupando agora a 80ª colocação entre as 100 maiores cidades do país. O estudo, baseado em dados oficiais de 2023, apontou que Natal teve a terceira maior variação negativa, ao lado do Rio de Janeiro, ficando atrás apenas de Campo Grande (MS), que recuou 20 posições, e São José dos Pinhais (PR), com queda de 18 colocações.
Um dos principais fatores para o declínio foi a redução de 10,13 pontos percentuais no atendimento de esgoto, passando de 53,79% em 2022 para 43,66% em 2023. O tratamento de esgoto também apresentou retrocesso, caindo de 50,2% para 43,66%. Enquanto a maioria das cidades com pior desempenho registraram queda no fornecimento de água, Natal e Vitória (ES) se destacaram pela piora nos serviços de esgotamento sanitário.
A Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) atribuiu parte da queda a mudanças metodológicas no cálculo dos dados, alinhadas ao censo mais recente. Em nota, a empresa afirmou que a posição atual não reflete melhorias previstas para os próximos meses. A Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) Jaguaribe deve entrar em operação ainda em agosto, elevando a cobertura na Zona Norte de 3% para 43% em sua primeira fase. Com a conclusão do segundo módulo, a região atingirá 95% de atendimento, elevando o índice geral da capital para cerca de 80%. A Caern projeta que, até 2027, com a ativação da ETE Guarapes, Natal alcançará a universalização do serviço, conforme exigido pelo Marco Legal do Saneamento.
Queda no abastecimento de água e investimentos
Além dos desafios no esgotamento sanitário, Natal também enfrenta redução na cobertura de água. Em 2019, o atendimento chegava a 96,63%, mas em 2023 caiu para 90,13%, uma diminuição de 6,73 pontos percentuais. Os investimentos em saneamento, embora tenham subido de R$ 40,51 milhões em 2022 para R$ 72,65 milhões no ano passado, ainda ficaram abaixo dos valores aplicados entre 2019 e 2021. O investimento per capita foi de R$ 119,13, inferior à média nacional de R$ 130,05.
Apesar dos retrocessos, houve avanços em indicadores de perdas. O faturamento não contabilizado caiu de 49,37% para 47,80%, e as perdas na distribuição diminuíram de 54,61% para 50,24%. O volume de água perdido por ligação também recuou, passando de 632,93 litros diários em 2022 para 582,58 litros em 2023.
O relatório do Instituto Trata Brasil reforça a relação entre a falta de saneamento adequado e os impactos na saúde pública, destacando a urgência de medidas para reverter o cenário nas cidades com pior desempenho. Enquanto Natal aguarda os efeitos das novas estações de tratamento, a população continua dependente de melhorias estruturais para garantir acesso a serviços básicos.







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